Da mata ao sacramento: como preparamos o Santo Daime em comunidade
O feitio é o coração vivo da nossa Doutrina: o encontro de duas plantas — o cipó Jagube e as folhas da Rainha (Chacrona) — que se tornam, juntas, o Santo Daime. É trabalho de mata, de mãos, de fogo e de reza. Cada etapa é feita em comunidade, muitas vezes ao som de hinário, do amanhecer até altas horas da noite.
Tudo começa na mata. O cipó Jagube (Mariri) é colhido com respeito e escolhido nas volta certas, enquanto as folhas da Rainha, a Chacrona, são colhidas uma a uma, ainda com o orvalho da manhã.
Cada corte do cipó revela um desenho que lembra uma flor — um segredo da natureza guardado dentro da videira, e que aparece só para quem tira o tempo de olhar de perto.
O cipó é batido à mão sobre toras de madeira, em roda, até virar fibra — trabalho pesado que a comunidade divide, muitas vezes cantando hinos para não sentir o cansaço.
Por muitas horas, o cipó e a rainha cozinham juntos no panelão, em fogo lento. É alquimia paciente: duas plantas se tornando uma só força.
Quando o feitio termina, a comunidade se reúne para agradecer: um violão, um hinário, e a alegria de quem trabalhou junto do começo ao fim.
O feitio não termina no panelão — termina em roda, em música, em gratidão por mais um sacramento preparado com as próprias mãos da comunidade.
É esse mesmo Daime, feito por nós, que sustenta os trabalhos, festividades e concentrações da Estrela Azul ao longo do ano.
Um pouco do que é viver esse trabalho em comunidade
Entre em contato para saber como colaborar com a colheita, a bateção ou o cozimento do nosso sacramento.
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